Você é o que você come


Eu já dei de cara com a frase “Você é o que você come” inúmeras vezes, e sempre vi ela em um contexto mais geral, imaginando que a quantidade de fast-food e congelados que eu ingeria praticamente todos os dias estavam transformando o meu estômago em um lixão podre. Porém, mais recentemente, a frase começou a ter um sentido mais literal para mim. Foi então que comecei a ver ela por um outro ponto de vista, com base na minha crença na energia que envolve tudo e todos, na energia da qual somos feitos.

você é o que você come

Alguns anos atrás, eu tive um namorado que morava num sítio. Lá, eles comiam muito do que plantavam e do que criavam. Um dia, esse meu ex-namorado me levou para conhecer as ovelhas que eles tinham. Foi uma das imagens mais lindas que eu já tinha visto… todas saltitantes e felizes em um lindo dia de sol. Achei um amor. Até ele me dizer que no churrasco do dia seguinte uma delas iria para o espeto.

Acho que um pedaço de mim morreu ali.

Olha, eu não sou ignorante, sei muito bem de onde os animais vem. Mas, por alguma razão desconexa, eu insista em me iludir que os animais que consumimos “brotavam magicamente” na sessão de congelados do supermercado. É aquela velha história: se a comida do restaurante é boa, não vá conhecer a cozinha. Enfim… No outro dia me recusei a comer carne de ovelha no tal churrasco, e assim tenho feito até os dias de hoje, uns três anos depois.

Mas eu segui consumindo outros tipos de carne, principalmente frango – minha carne favorita -, afinal, sou gaúcha e fui criada na base do churrasco. Esse hábito tá minha genética.

comida saudável

Ano passado, quando resolvi mudar de vida e deixar alguns velhos hábitos de lado, uma transformação física começou lentamente. Primeiro decidi que já era hora de me livrar de dois grandes vícios: coca-cola e cigarro. (Eu ainda consumo refrigerante, mas é algo tipo uma vez por semana. E quanto ao cigarro, essa briga foi mais complicada, eu fumava nos fins de semana, geralmente quando estava com amigos também fumantes e algum drink aparecia na roda, mas, hoje, estou oficialmente 7 meses longe da nicotina.) Depois, resolvi abandonar o sedentarismo. Logo em seguida, consequentemente, foi a vez da alimentação.

Nessa fase, embarquei numa onda maluca de contar calorias. Queria uma fórmula para a tal alimentação balanceada e experimentei algumas dietas. Foi horrível. Eu ficava estressada e, para o meu desespero, constantemente com fome – o que eu ODEIO. Mas eu estava determinada a encontrar algo que funcionasse pra mim. E agora encontrei. O que funciona para mim é aquilo que o meu corpo precisa, e o que o meu corpo precisa são de alimentos naturais e orgânicos, indiferente da quantidade de calorias.

vegetais

Faz algumas semanas que a frase “humano não nasceu para ser carnívoro” tem monopolizado os meus pensamentos em relação ao que eu ando ingerindo, então resolvi fazer uma das coisas que eu mais gosto nessa vida: pesquisar. Comecei procurando por pessoas famosas adeptas do vegetarianismo, afinal, eu precisava de relatos de “gente conhecida”. E foi assim que eu acabei assistindo na íntegra, sem cortes, o documentário Terráqueos (que eu altamente recomendo – mas já aviso que, ironicamente, precisa ter estômago para assistir sem entrar em colapso e continuar consumindo carne depois).

Depois de chorar litros com as imagens e pensando constantemente no quanto a nossa espécie é cruel – no sentido de que somos a única espécie que causa sofrimento por prazer/entretenimento/diversão -, eu consegui compreender a frase “você é o que você come” de um jeito que mexeu com o meu campo energético. Alguma coisa deu uma sacudida aqui e eu consegui escutar um sussurro da minha alma. E o que eu ouvi/senti foi isso:

Se você é o que você come e você come algo que sofre tamanha dor/medo/desespero/angústia/trauma nos últimos minutos de vida, é exatamente isso que anda alimentando o seu corpo: dor/medo/desespero/angústia/trauma.

Eu acredito em energia. Eu acredito naquele arrepio estranho que percorre o meu corpo quando “o meu santo não bate com o de outra pessoa”. Eu acredito que estar perto de pessoas com uma vibração baixa, te suga ao ponto de te colocar naquela mesma vibração. Então, é um tanto lógico pensar que todo o sofrimento daquele animal vai acabar indo parar dentro de mim.

temperos

Veja bem, se eu que adoro cristais, depois de adquirir uma peça nova, a primeira coisa que faço quando chego em casa é limpar a pedra pra retirar todas as energias que ela absorveu até chegar nas minhas mãos, por que diabos eu acho que a carne que eu como vai estar “purificada”?! Sabe quando um dia ruim acaba e tudo o que você precisa é tomar um banho pra “tirar o peso”? Então… A carne que a gente consome não tem essa opção. É do traumatizante e doloroso abate até o nosso prato. Ponto.

Eu sei, acredite, parece egoísmo da minha parte estar mais preocupada com o meu campo energético do que com o pobre animal sofrendo nas mãos dos homens. Mas, não é sempre assim que a gente aprende, do jeito mais egoísta? Infelizmente, eu ainda faço parte da maioria que só se dá conta de que há algo errado quando a água bate na bunda. Porém, garanto, depois desse documentário, nunca mais. Se a ignorância é uma benção, eu escolho a agonia do conhecimento. Afinal, teve um cara famoso aí que disse uma vez: “a verdade vos libertará”. E eu gosto da ideia de ser livre.

Então eu resolvi mudar mais esse hábito na minha vida: parar de consumir carne. No momento eu não tenho intenção de virar vegana. Então, no meu café da manhã ainda vai ter ovo mexido e queijo, acompanhados, eventualmente, de leite. Mas, quem sabe, logo eu acabe desistindo de vez desse tipo de alimentação… Afinal, tudo é uma questão de hábito e existem outras opções. E, além disso tudo, eu estou disposta a deixar de ser cúmplice no assassinato e sofrimento dos meus conterrâneos.

você é o que você come

Comente