Visitantes em nossas vidas 2


Houve uma época em que me pegava pensando, com frequência, no quanto as pessoas eram visitantes na minha vida. Com exceção da minha mãe e do meu cachorro, ninguém permanecia nela por muito tempo. Embora eu tenha duas amigas de longa data – e uma terceira que está se encaminhando para tal proeza -, sempre me preocupei com o fato de que não sou como a maioria das pessoas que possuem uma vasta agenda de contatos íntimos. Será que eu tinha algum problema? Ou será que eu estava traumatizada por ter escutado pessoas próximas comentando o quanto é estranho alguém não ter muitos amigos íntimos?

Um dia, enquanto praticava a arte de não fazer nada e completamente mergulhada nos meus pensamentos sobre o valor das amizades, olhei para o meu passado e percebi que todos com quem tive relações mais próximas estavam fazendo as mesmas coisas de sempre, vivendo a mesma vida e com o mesmo padrão de pensamentos. Foi então que percebi que, na verdade, eu é que era a visitante na vida deles, eu é que estava sempre de passagem.

vintage

Ninguém permaneceu na minha vida porque eu não parava em lugar nenhum, eu estava constantemente em busca de mais, consequentemente eu também não permanecia na vida de ninguém. As minhas poucas amigas de longa data seguem sendo minhas amigas íntimas porque não importa quanto tempo eu fique longe, de alguma forma, mesmo não caminhando ao meu lado, é como se elas me acompanhassem de perto. Talvez a gente seja mais parecidas uma com a outra do que com o resto do mundo. Vai saber…

visitantes nas nossas vidas

A questão é: não dá pra ter medo de ficar sozinho. Seguir em frente e ir atrás da vida que a gente sonha, algumas vezes, é sinônimo de solidão. E foi apenas quando eu aceitei isso que consegui ter a vida que eu queria. Bom, na verdade essa vida ainda está em processo de desenvolvimento, mas a coisa toda já é tão real na minha cabeça que eu quase consigo tocar. Além disso, tanta coisa maravilhosa tem acontecido desde que eu decidi enfrentar meu medo de ficar sozinha que, confesso, nunca me senti tão bem acompanhada. Afinal, como diz minha mãe, eu não nasci grudada em ninguém pra ter que viver de bando e fazendo sempre tudo junto.

free yourself

Então, se você também sofre do mal de achar que ninguém permanece na sua vida porque você provavelmente tem algum problema, saiba que o único problema é que você ainda não descobriu a verdade… que a maioria das pessoas são visitantes nas nossas vidas. E que você também está só de passagem pela vida delas.


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2 pensamentos em “Visitantes em nossas vidas

  • tripsandbits

    Pensando no lado positivo e negativo aqui: o positivo de ser visitante na vida das pessoas é que, somente que, principalmente, quando não gostaríamos que elas estivessem em nossa vida e o contrário também, não gostaríamos de estar na vida delas, por que as vezes é inevitável. E o lado negativo é que as melhores pessoas, na minha vida pelo menos, sempre “passam batidas” na minha vida, ou seja, chegam, nos encantamos e adeus… Ah, essa vida é mesmo uma graça!

    (estou adorando todos os seus textos e me identificando muito, está sendo uma terapia para mim ler cada post, não se chateie comigo se eu encher aqui sua caixa de mensagens)

  • Pamela Autor do post

    Tudo tem um lado positivo e um negativo nessa vida, é a tal dualidade. Eu ainda to aprendendo a conviver harmoniosamente com este princípio…

    (e de maneira alguma vou me chatear, to adorando “te receber na minha casa”, fica à vontade)