Vamos ser sinceros


Todo mundo mente. Não que seja uma novidade, existem até estudos comprovando isso. Às vezes nem se trata de uma super mentira, é mais um exagero de um fato verdadeiro, o famoso “quem conta um conto, aumenta um ponto.” O problema é quando a coisa toma proporções a nível de machucar os outros, e o pior, a si mesmo.

Vai lá, puxa pela memória, tenho certeza que em algum momento na sua vida você já disse ao menos uma vez o clássico “Não fui eu, mãe.” Ou então “Vou ficar estudando pra prova de segunda na casa da Maria.” É claro que, por ‘casa da Maria’ entende-se ‘balada’. Viu? Mentirinhas. Aprendemos desde cedo. E você certamente já usou alguma delas. Não? Certeza? E o clássico “está tudo ÓTIMO” quando na verdade tá tudo uma merda? RÁ. Eu sabia.

Ok, agora que já trocamos confidências, vamos mais além. Vamos falar de mentir para nós mesmos. Não, espera. Me permitam usar esse pequeno espaço meu para dizer que eu me peguei, um dia desses, na frente do espelho dizendo alto e claro “PO##@, Pamela. Você está cometendo os mesmos erros de 10 anos atrás, e, amiga, você não tem mais 20 aninhos, você não tem mais tempo pra brincar de ser irresponsável e fingir que não se importa. ACORDA PRA VIDA, MULHER.” Por que eu fiz isso? Ah sim, porque nos últimos 6 anos eu me agarrei com unhas e dentes em uma pequena parte de mim que é o meu lado mais forte, e acabei criando um personagem em volta dele. Uma versão de mim melhorada pronta para enfrentar tudo e todos sem derramar uma lágrima (na frente dos outros, é claro). Pois é, eu venho me escondendo das pessoas, do mundo. Não me julguem, é puro mecanismo de defesa. Você deve ter um também. Poucas são as pessoas que conseguem ser elas mesmas 100% do tempo. Eu não conheço ninguém.

A minha teoria é que apresentamos pequenos pedaços da gente para os outros, e aquele pedaço que for mais “aceito” é o que escolhemos para o “eu sou assim.” Ou simplesmente escolhemos por parecer mais fácil viver daquele jeito (seja lá qual for esse jeito). O problema é que abraçamos tão forte esse pequeno pedaço, que acabamos inventando uma outra versão de nós baseada apenas nele. E aí começam os exageros, nos perdemos e acabamos chorando no ombro de um amigo (geralmente o travesseiro) dizendo “Eu não aguento mais.” Daí você resolve romper as barreiras do medo e dar a cara a tapa e escuta um monte de “Você não é assim.” “Para com isso.” “O que aconteceu contigo?” Dá até preguiça de voltar a ser a pessoa que você realmente é. O tal caminho mais fácil, entende?

Por que criar um personagem de você? Porque, no fundo, todos querem atenção. Mas veja bem, não confunda isso com carência. Estou falando dessa mania chata e um tanto masoquista que as pessoas adquiriram de ter que mostrar que são sempre fortes, felizes e insensíveis. Que ridículo. O que há de errado em ter um dia ruim? Qual o problema em querer colo às vezes? E por que diabos não podemos assumir que temos sentimentos? É feio isso? Porque eu tenho achado muito mais feio ter como melhor amigo um quarto vazio e apenas um travesseiro para abraçar. Eu mostrei (em um momento de desespero total) para um casal de amigos meus, o meu lado mais frágil e vulnerável. Chorei feito criança na frente deles e falei das dores que esmagavam o meu coração. Sabe aqueles choros em que você mal consegue respirar? Esse mesmo. O que eu ganhei em troca? Um abraço duplo. E quando eu tentei tirar a minha cabeça do ombro de um deles, o outro empurrou a minha cabeça contra o ombro de novo e disse “A gente está aqui pra isso, Pam.” Chorei mais ainda. Coitados.

O fato é que você não precisa chorar um rio por dia na frente dos seus amigos, mas assumir que precisa de colo e carinho não vai te arrancar um pedaço. As pessoas são capazes de gostar – e até mesmo de amar – umas as outras mesmo elas não sendo uma fortaleza o tempo todo. É normal ter medos, incertezas, fraquezas e ficar vulnerável em determinadas situações. E mais normal ainda é você ter com quem contar nesses momentos. Vai por mim, quem só fica do seu lado no “oba oba é tudo uma grande festa” não merece muito o seu tempo. E, vai por mim mais uma vez, pessoas que só mostram o seu lado “oba oba é tudo uma grande festa” são as que mais choram sozinhas no quarto.

Enfim…

Eu não sei vocês, mas eu tenho que colocar os meus últimos seis anos em ordem até o fim deste ano. E isso inclui admitir que eu não quero noitadas insanas o tempo inteiro, que eu não vejo nada de errado em ficar em casa em um sábado à noite, que por baixo dessa fanfarrona insensível existe uma mulher romântica e sonhadora, que eu prefiro quebrar a cara tentando do que ficar intacta e nunca saber se poderia dar certo. Vou ali engolir o meu orgulho e me permitir sentir o coração saindo pela boca de novo. Porque o meu choro de desespero era na verdade uma saudade louca de mim.

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