Uma flor na rachadura da calçada


Eu já fiz o estilo “moleque“. Já tive a fase “tentando parecer gente grande“. Depois veio a fase “parecer com alguma famosa do qual eu era muito fã”. Me lembro também do estilo “patricinha” seguido pelo estilo “sou do rock“. Agora to na fase “Pamela“.

A fase “Pamela” é mais ou menos assim: tem que ter ao menos uma peça colorida (nem que seja uma camisa xadrez amarrada na cintura), muitos anéis e longos colares, bota (de todos os tipos, inclusive no verão), lenço (às vezes na cabeça, às vezes no pulso, outras vezes amarrado no cinto) ou um chapéu e alguma peça jeans. De fato, meu estilo tem andando com um pé no meu coração boêmio e com o outro na minha alma cigana.

Pamela R. Schons

Em um primeiro momento pode parecer um estilo bem “normal”, mas acredite quando eu digo que ele chama atenção pelas ruas. Eu não sei se tem alguma coisa com a minha postura/presença de espírito, mas até o mais distraídos dos olhares é atraído pelo meu estilo no meio da multidão. Talvez isso aconteça pelo fato de que estou no meio de um mar de pessoas iguais, que são “mais do mesmo”, e isso tende a despertar a curiosidade dos olhos tão acostumados ao “normal” (seja lá o que isso significa).

A maioria das pessoas apenas me olham dos pés à cabeça e seguem em frente. Algumas pessoas adoram. Outras torcem o nariz. Tem as pessoas que acham estranho e ainda tem alguns que parecem se sentir ofendidos. Se destacar na multidão pode ser uma benção e uma maldição.

A questão é: não tenha medo de se destacar. Se no meio da conversa sobre trabalho quiser falar sobre a cura com cristais, fale. Se estiver com vontade de vestir seu melhor vestido para ir no supermercado, vista. Se quiser postar nas redes sociais sobre a sua espiritualidade, poste. Ou seja lá o que for… Se você for ridiculamente corajoso, você vai bater de frente com as visões estagnadas. E você vai fazer com que as pessoas vejam que é possível ser diferente e vai mudar a percepção de muita gente. E você vai crescer. Ah, como você vai crescer. Seja uma flor na rachadura na calçada.

As coisas que parecem um pouco perigosas e que fazem você se sentir um pouco vulnerável são as coisas que te acrescentam algo na vida. Elas lembram você que se deve estar presente no agora, que você deve estar atento. Elas oferecem a você a oportunidade de ver a vida através de outras lentes, de outros ângulos. A vida é muito mais emocionante quando você faz o que te assusta (por dentro).

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