Resenha: Grande Magia de Elizabeth Gilbert 4


Não, este não é o tipo de leitura que faço com frequência. Nas minhas prateleiras você encontra muito mais livros de fantasia e alguns de ficção científica. Mas como o Coração Boêmio é o ponto de encontro da criatividade, da inspiração, assuntos sobre a vida cotidiana, e, sim, da magia, optei por manter o mesmo nicho por aqui.

Em fevereiro foi a vez do best-seller Grande Magia – Vida Criativa sem Medo, de Elizabeth Gilbert.

Grande Magia - Elizabeth Gilbert

Em Grande Magia, Liz nos faz um convite. Um convite para abandonar nossos medos, nossas inseguranças e colocar a mão na massa. Desligar o ego também faz parte do processo. Ao longo das (quase) 200 páginas, a autora descreve o que acredita ser a criatividade, de onde vem a inspiração e relata exemplos com histórias inspiradoras – dela mesma, de amigos, de gente que ela nunca viu e também de gente famosa que já morreu.

“O que é a criatividade?
É o relacionamento entre um ser humano e os mistérios da inspiração.”

De acordo com Elizabeth, viver criativamente é viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo (falando de uma maneira mais ampla). Durante as primeiras páginas do livro, ela nos apresenta o medo nú e crú.

“(…) o medo é um instinto muito antigo e vital em termos evolutivos…
mas não é algo particularmente inteligente.”

O medo nos trava, grita incansavelmente “PARE” em nossas cabeças. Embora necessário como instinto de preservação e sobrevivência, no campo da expressão criativa ele deve ser silenciado. O medo odeia incertezas, e a vida criativa traz muitas incertezas. É humano sentir medo, mas precisamos aprender a lidar com ele. Liz nos encoraja a ir além do nosso medo – já que ele faz parte da vida criativa. O importante é não deixar que ele nos trave.

Mergulhando mais na leitura, entramos na parte do encantamento.

Liz acredita que o nosso planeta é habitado, também, por ideias. Estas são uma forma de vida energética, incorpórea. São completamente separadas de nós, mas capazes de interagir conosco. Têm consciência, vontade própria e são movidas por um só impulso: o de se manifestar. E a única maneira pela qual uma ideia pode se manifestar no nosso mundo é por meio da colaboração com um parceiro humano.

Na boa, esse é um pensamento muito divertido. Imaginar a ideia como um ser que possui vontade própria é libertador. Em vez de se culpar quando acontece um bloqueio criativo, você pode simplesmente dizer “Hey, eu compareci para o trabalho, mas se você quer o dia de folga, sem problemas. Quando estiver disposta a colaborar, estou aqui.”

Adorei essa ideia. Inclusive já personifiquei na imaginação a minha criatividade. Sabe, pra ficar mais fácil bater um papo. Assim evito ficar falando com as paredes.

Depois, seguindo o rastro do pó magico, chegamos na parte da permissão.

“Buscamos aquilo que é interessante e novo porque gostamos do interessante e do novo.”

Para ter uma vida mais criativa, basta se permitir. A criatividade e a curiosidade são marca da espécie humana. Elizabeth cita no livro que rabiscos na parede são cerca de 30 mil anos mais velhos que a agricultura. Ou seja, antes de aprendermos a nos alimentar regularmente, já produzíamos arte.

Criar, produzir, faz parte do que somos como um todo. E se o que você quer é criar algo absolutamente absurdo, crie. Você não precisa de um motivo para criar além da vontade. Você não precisa que a sua ideia tenha utilidade, ela só precisa nascer. (Até porque, convenhamos, mais uma inutilidade do mundo não vai fazer diferença, então desencana.) E talvez, só talvez, a sua criação acabe sendo algo incrível para você, para alguém, para a sua vizinhança… Vai saber. Apenas crie. Faça por pura diversão.

Grande Magia (e as gatas) - Coração Boêmio

Wendy e Edwiges querendo participar.

A Grande Magia é isso. É criar única e exclusivamente por prazer, sem pensar no retorno, na recompensa. É deixar o gênio criativo expressar, em parceria com você, uma ideia.

Existem tesouros escondidos dentro de você.

“Você tem a coragem necessária? Tem coragem de trazer à tona esse trabalho? Os tesouros escondidos dentro de você estão esperando que você diga sim.” – Jack Gilbert

Inspirada para fazer algo mais – mais divertido, mais fora da minha zona de conforto -, em vez de uma leitura convencional para o mês de março, este coração boêmio vai soltar a criatividade num projeto engavetado há uns dois anos. Um projeto que tem como objetivo apenas me distrair. Então, se você quiser pegar carona nesse voo criativo, coloque as mãos em um exemplar de Destrua Este Diário, de Keri Smith.

Destrua Este Diário - Coração Boêmio


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