Pane no sistema


Que me perdoem os meus amigos, meu namorado, minha mãe, meu chefe e colegas de trabalho… mas tudo que eu precisava no momento era de uma folga de todos vocês e de tudo. O que eu preciso agora é de, pelo menos, uma semana de paz e tranquilidade onde todos os meus pensamentos, reflexões e vácuo mental sejam voltados exclusivamente para o meu universo.

Preciso de uma folga até das coisas simples e pequenas como a preocupação diária da minha mãe com a minha alimentação e suas clássicas perguntas no estilo “Não vai comer nada?“. Preciso de uma folga do computador, caixas de e-mail e pauta. Preciso de folga de ter que ser sociável por educação. Preciso de folga do celular e das preocupações que envolvem dividir a vida com alguém.

Eu quero acordar na hora em que os meus olhos quiserem abrir, tirar um cochilo depois do almoço, não me preocupar quando perco o sono e nem me obrigar a dormir antes das 23h porque, caso contrário, vou parecer uma figurante do The Walking Dead no outro dia enquanto trabalho. Quero ler um, dois, três ou quatro capítulos de um livro na hora que me der vontade e não entre as 20h e 22h porque é quando sobra tempo. E não quero ter que optar entre ler alguns capítulos do livro ou assistir um filme neste mesmo horário. Eu quero poder fazer os dois, um seguido do outro, sem hora marcada. Eu quero ler durante o silêncio da madrugada após assistir um longo filme. Eu quero tomar banho em um horário em que eu não precise usar o secador de cabelo depois (eu não sei o cabelo de vocês, mas o meu demora eras pra secar sozinho). Eu quero tomar café da manhã na hora em que sentir fome, não na hora em que saio da cama. Eu quero pegar trânsito (se for pra pegar) na hora em que eu estiver com vontade de sair na rua, não todo dia pela manhã e no final da tarde. Eu quero lavar a louça depois de digerir bem a refeição, não enquanto mastigo a última garfada porque estou sempre com pressa. Eu quero ver a luz natural e sentir o ar que entra pela janela, porque estou cansada de ar condicionado e lâmpadas “iluminando” o meu dia. (Tem cabimento uma coisa dessas quando tem um sol maravilhoso lá fora?) Eu quero escrever meus textos quando surgir a inspiração, não com aquele fura pauta urgente que me arranca de um outro job fazendo o meu cérebro entrar em curto-circuito (isso sem mencionar que o texto acaba saindo uma merda). Eu quero ser simpática porque me sinto simpática, não quando estou passando por uma fase introspectiva e tenho que dar explicações sobre o meu silêncio.

Acho que o que me incomoda é esse costume que a sociedade tem de viver nessa eterna escravidão. Eu sei que existe um mundo de responsabilidades que exigem o nosso sacrifício. Mas aí é que tá… Se for pra fazer algum sacrifício, que seja prazeroso. Se for pra sair da cama todo santo dia no mesmo horário, que seja pra fazer algo que te anime, que te faça abrir a janela no melhor estilo “bom dia sol, bom dia passarinhos, bom dia vida”. Ok, eu sei que nem tudo são rosas o tempo inteiro, mas que sejam rosas em sua grande maioria. O que não dá é pra continuar vivendo no automático. Pra mim, pelo menos, não dá. É maçante demais. É deprimente demais. Eu não quero me sentir para sempre como uma peça substituível do mecanismo chamado sociedade. Eu não quero me sentir aprisionada.

Eu quero mais. Eu quero fazer mais. Eu quero SENTIR mais. Porque a única coisa que ando sentindo é cansaço de tanta “obrigação social”.

É isso. Eu sei o que eu quero e eu sei o que eu não quero. Agora só basta saber o que fazer com essas informações pra deixar a minha vida mais leve, como eu sempre quis. E, até lá, me desculpem se eu acabar, de fato, pedindo uma folga de tudo e de todos.

Andar sozinho

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