O que eu sei de verdade – Oprah Winfrey


Para mim, até muito recentemente, Oprah Winfrey era apenas uma apresentadora de sucesso cujo o trabalho eu não prestava atenção. Foi lá por Outubro ou Novembro do ano passado que, por acaso, tive a honra de me dar conta do quanto essas mulher representava para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Mais recentemente, enquanto perdia a noção do tempo dentro de uma livraria, me deparei com o livro O que eu sei de verdade, uma seleção de crônicas escritas por Oprah ao longo de 14 anos e publicados na Revista O. Comprei o livro e, para a minha surpresa, me vi em muitos dos textos. Tenho vários que são os meus favoritos, mas quero compartilhar aqui um que, particularmente, foi muito revelador e me fez ter vontade de voltar no tempo, me pegar no colo e dizer para mim mesma “Eu te amo“.

“Conversar com milhares de pessoas ao longo dos anos me mostrou que existe um desejo comum a todos nós: queremos nos sentir valorizados. Seja uma mãe em Topeka ou uma empresária na Filadélfia, em nosso íntimo cada um de nós deseja ser amado, querido, necessário e reconhecido – ter laços que façam com que possamos nos sentir mais vivos e humanos.

Certa vez gravei um programa em que entrevistei sete homens de diferentes idades e origens, todos com um traço em comum: eles haviam traído as suas esposas. Foi uma das conversas mais interessantes e sinceras que já tive, e uma experiência muito reveladora para mim. Percebi que o desejo de se sentir ouvido, necessário e importante é tão forte que nos leva a buscar esse tipo de validação de qualquer forma. Para muitas pessoas – homens e mulheres -, ter um caso é uma afirmação de que elas são mesmo interessantes. Um dos homens com quem falei, que era casado havia dezoito anos e achava ter um código moral que o impedia de cair na tentação do adultério, disse sobre a amante: “Não havia nada de especial nela. Mas ela me ouvia, demonstrava interesse em mim e fazia com que eu me sentisse especial.” Esta é a questão, pensei – todos queremos sentir que somos importantes para alguém.

Enquanto eu crescia entre Mississippi, Nashville e Milwaukee, não me sentia amada. Achava que poderia fazer as pessoas gostarem de mim se fosse bem-sucedida. Então, por volta dos 20 anos, passei a basear o meu valor no fato de ser amada ou não por um homem. Lembro que cheguei a jogar as chaves de um namorado na privada e dar a descarga para evitar que ele me largasse! Eu não era diferente de uma mulher que apanhasse do marido. Não levava tabefes todas as noites, mas, como minhas asas haviam sido cortadas, eu não conseguia alçar voo. Tinha muito a meu favor, mas achava que sem um homem eu não era nada. Só anos mais tarde compreendi que não poderia encontrar o amor e a aprovação que desejava fora de mim.

O que eu sei de verdade é que falta de intimidade não significa estar distante de outra pessoa; é não dar valor a si mesmo. É verdade que todos precisamos de relacionamentos que nos enriqueçam e nos sirvam de apoio. Mas também é fato que, se você está procurando alguém para curá-lo e completá-lo – para calar aquela voz interna que sempre sussurrou que você não tem valor -, então está perdendo o seu tempo. Por quê? Porque se você ainda não tem consciência do próprio valor, não há nada que seus amigos, sua família ou seu parceiro possam lhe dizer que o convença disso. O Criador lhe deu total responsabilidade sobre a sua vida, e essa responsabilidade traz consigo um incrível privilégio: o poder de dar a si mesmo o amor, o afeto e a intimidade que você talvez não tenha recebido quando criança. Você é a melhor mãe, o melhor pai, a melhor irmã, o melhor amigo, primo e parceiro que terá na vida.

Neste exato momento, tudo o que precisa fazer é escolher ver a si mesmo como alguém cuja vida possui um significado inerente – então escolha vê-la dessa forma. Você não precisa perder nem mais um segundo concentrando-se num passado em que não recebeu o apoio que deveria dos seus pais. Sim, você merecia esse amor, mas agora cabe a você dá-lo a si mesmo e seguir em frente. Pare de esperar que seu marido ou sua mulher diga “eu lhe dou valor”, ou que seus filhos lhe digam que você é uma mãe ou um pai excelente, ou que alguém venha salvá-lo e se case com você, ou que seus melhores amigos lhe garantam que você tem valor. Olhe para dentro de si – o amor deve partir de você.”

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O que eu sei de verdade é: sua jornada começa com a decisão de se levantar, sair e viver plenamente.”Oprah Winfrey

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