Fugindo de casa 1


Você já teve aquela sensação de querer sair correndo sem destino? Tipo, fugindo de casa? Eu já. Às vezes tenho vontade de sair correndo porta afora e só parar quando me der vontade de voltar, igual ao Forrest Gump. E quando isso acontece, eu paro tudo, fecho os olhos, respiro fundo e tento canalizar todas as minhas forças no único pingo de paciência existente no meu corpo. Não é uma tarefa fácil, mas, como ainda estou aqui sentada no meu quarto, acho que estou indo bem. O problema todo é que tem alguma coisa gritando dentro de mim pra que eu não me saia bem, pra que eu não respire fundo quando a vontade de sair correndo aparecer, pra que eu simplesmente me deixe levar… Pra onde?

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Imagem: Blog Free People

Veja bem, esse meu anseio não se refere a um passeio de férias, não. Ele é maior que isso e muito mais forte. É como se ele estivesse me chutando pra frente enquanto eu ainda estou com os pés cimentados no chão. Eu não sei se você já levou um pé na bunda, mas eu te garanto que dói, principalmente quando quem chuta é a vida.

Até poucos dias atrás eu estava certa de que tinha feito as mudanças necessárias na minha vida visto que há um ano, quando esse anseio me venceu no grito, eu pedi demissão pra trabalhar com o que realmente gostava, acabei um relacionamento que estava condenado ao “não vai dar em nada” e comecei meu ano sabático longe de tudo e todos – porque eu precisava de um tempo apenas na minha própria companhia pra tentar entender o que estava acontecendo comigo, e o que eu não precisava era de gente na minha volta me “dando conselhos”. Abracei a introspecção e logo em seguida encontrei o desespero. Eram perguntas e mais perguntas dentro de uma cabeça perturbada e um psicológico meio abalado, todas mais ou menos no nível “O que você tá fazendo com a tua vida? Você tem 31 anos e não tem nada… nada que te faça feliz. O que você fez por ti mesma nesses últimos anos? NADA, sua estúpida.” Depois veio a tristeza. Cara, essa parte foi foda. Doeu pra cacete. Porque não é fácil admitir que você é infeliz. Ninguém quer admitir que é fraco e que tem uma vida de merda. Então, depois de uns dois meses mergulhada no fundo do poço do que eu descobri ser a minha depressão, eu pensei: “Bom, eu nunca me considerei ninguém, eu sempre achei que eu era alguém, mas se eu estou errada e na verdade eu sou ninguém, então eu não quero mais brincar. Cansei desse jogo. Ele é triste, chato e sem vida.” No outro dia, veio o que eu chamo de momento “vácuo”. Não existia nada, nem raiva, nem tristeza, nem alegria, nada. Foi aí que eu pensei: “Hoje é um belo dia pra começar uma vida nova.” Afinal, nada melhor do que uma tela fazia, em branco, com nada desenhado pra se fazer novos rabiscos. E foi o que eu fiz.

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Imagem: Pinterest

Não me entendam mal, hoje eu me considero muito feliz. Quando olho pra trás e vejo o quão longe eu fui em apenas um ano, quase me sinto no topo do mundo. Mas quando olho pra frente, percebo que a escalada ainda é longa. E eu nem me importo porque gosto de movimentação. E é exatamente aqui que entra o meu anseio de sair correndo. Por alguma razão que ainda desconheço, parece que eu não estou saindo do lugar, não importa o quanto eu me mexa. E isso é frustrante. É frustrante porque eu ainda não descobri se empaquei porque tenho que esperar um pouco mais ou porque to morrendo de medo de atravessar a porta de casa. Será que eu realmente consigo? Será que eu sou tão forte quanto eu penso que sou? Será que eu, de fato, aguento o peso das responsabilidades do caminho que escolhi? Não sei. Mas disso eu sei: não importa o quanto eu tenha medo, não importa por quanto tempo eu fique paralisada, não importa quem tenta me segurar aqui… quando eu decidir que é hora de partir, é exatamente o que eu vou fazer… eu já fiz isso antes, mais de uma vez, e eu sei que estou prestes a fazer de novo… Porque no fundo, bem no fundo, eu sei que eu tenho coragem, e sei que ela é maior e mais forte do que qualquer medo, do que qualquer prisão. Tudo o que eu preciso é apenas ficar na companhia dela, só dela, por 20 segundos e eu sei que sou capaz de ganhar o mundo.

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Imagem: Blog Free People


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