Oprah Winfrey – Faça o que você ama


Texto: Oprah Winfrey – O Que Eu Sei de Verdade

“Sempre tive uma ótima relação com o dinheiro, mesmo quando mal tinha dinheiro com o que me relacionar. Nunca tive medo de não tê-lo e nunca fui obcecada pelo que tinha. Como a maioria das pessoas, consigo me lembrar de todos os salários que já tive. Creio que nos lembramos disso porque um salário ajuda a definir o valor do nosso trabalho – e, infelizmente, para algumas pessoas, o valor que elas dão a si mesmas.

A primeira vez que percebi que eu não era o meu salário foi aos 15 anos. Eu ganhava 50 centavos por hora para tomar conta dos filhos bagunceiros da Sra. Ashberry e arrumar a bagunça que ela fazia tirando quase todas as roupas do closet quando se vestia para sair. Seu quarto sempre parecia uma queima de estoque relâmpago, com sapatos, colares multicoloridos e vestidos espalhados por toda a parte. Antes de desaparecer porta afora (sem deixar nenhuma informação sobre seu paradeiro ou como eu poderia contatá-la), ela dizia: “Ah, se importa de dar um jeitinho nessa bagunça, querida?” Bem, sim, é claro que eu me importava, mas na primeira vez que “dei um jeitinho na bagunça” fiz um trabalho tão bom que tinha certeza que ela iria me pagar um extra, especialmente quando visse que eu tinha arrumado não só o quarto dela, mas o das crianças também. Ela não fez nada disso. Então eu fui procurar um emprego que me pagasse melhor – um emprego no qual achava que meu esforço seria valorizado.

Havia uma loja de conveniência perto da loja do meu pai, onde consegui um emprego por 1,5 dólar a hora. Minha função era manter as coisas organizadas, abastecer as prateleiras, dobrar meias. Não podia trabalhar no caixa ou conversar com os clientes. Eu detestei. Depois de duas horas, comecei a contar os minutos para o almoço e, depois, para a hora de ir embora. Mesmo aos 15 anos eu sabia, no fundo da minha alma, que aquilo não era jeito de viver, ou de ganhar dinheiro. Nunca me senti tão entediada na vida. Então, depois de três dias pedi demissão e fui trabalhar na loja do meu pai – por zero dólar. Também não gostava daquele emprego, mas pelo menos eu podia conversar com as pessoas e não tinha a sensação de que meu espírito estava sendo sugado pelo tempo. Mesmo assim, eu sabia que, por mais que meu pai quisesse, aquela loja não faria parte do meu futuro.

Aos 17, eu já estava trabalhando na rádio e ganhando 100 dólares por semana. Foi nesse momento que fiz as pazes com o dinheiro. Decidi que, não importava qual fosse o emprego, ele teria que me trazer a mesma sensação de quando comecei na rádio – aquele sentimento de que gosto tanto de fazer isso que mesmo se você não me pagasse eu viria todos os dias, pontualmente, feliz da vida por estar aqui. Nessa época, percebi algo de que tenho certeza agora: se você recebe para fazer o que ama, cada contracheque é como um bônus. Dê a si mesmo o maior bônus da vida: corra atrás da sua paixão. Descubra o que adora fazer. E então faça!”

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