Faça o que faz você feliz


Dia desses me peguei no meio de um debate sobre tatuar o rosto. Um dos meus amigos quer fazer uma e quando ele abriu o verbo na roda ouviu todos os contras possíveis sobre esse tipo de arte.

Enquanto eu escutava o que todos diziam, observei ele ir da empolgação à vergonha em menos de dois minutos. O coitado estava sendo bombardeado por comentários negativos sobre a escolha dele e eu comecei a me sentir na pele do pobre infeliz. Sabe quando você compartilha uma ideia com os amigos/familiares todo empolgado e eles te jogam um balde de água fria dizendo o quanto a ideia é ridícula? Sabe essa sensação de estupidez sem tamanho? Eu sei, já passei por isso tantas vezes que acabei guardando as minhas ideias só pra mim. E sabe o que eu ganhei com isso? Frustração. Daí vem o drama: fazer o que te faz bem ou dar razão aos outros.

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Quando os comentários sobre a tatuagem do meu amigo começaram a me afetar por tabela, fui obrigada a dar meu pitaco, e foi mais ou menos assim: “Gente, eu não faria uma tatuagem na cara, não me agrada a ideia e por isso eu poderia dar um milhão de razões pra ele não fazer isso. É fácil porque to partindo do meu ponto de vista e gosto pessoal. Agora quero ver alguém aqui dar uma opinião positiva sobre isso. Eu não posso. Mas posso dizer isso…” Olhei pra ele e larguei “Cara, tu vai chamar atenção pra caralho por aí, mas se tu realmente quer fazer isso e tá cagando pra opinião dos outros, vai fundo.” Eu não prestei muita atenção, mas tenho certeza que me olharam torto porque os comentários que seguiram foram sobre o quanto eles estavam preocupados com a vida profissional dele e blá blá blá…

Muitas vezes… Não, deixa eu corrigir isso… 99,9% das vezes que alguém do nosso círculo íntimo de amizades ou da família dá uma opinião ou um conselho sobre alguma coisa na nossa vida é porque eles nos amam e querem o melhor pra nós. Não é por mal. Somente nós sabemos o que nos faz bem, o que nos agrada, nos traz alegria, o que faz a gente se sentir melhor com a gente mesmo, nem que isso signifique tatuar o rosto. É uma questão de gosto. E como todo mundo sabe, gosto não se discute.

society coração boêmio

Indo mais além no assunto, e usando o meu amigo como exemplo, percebo o quanto falta incentivo na vida das pessoas. Ok, se alguém não concorda com algo e quer dar a sua opinião ou o seu conselho, tem todo o direito. Mas não precisa tentar convencer o outro a todo custo de que tem razão. Afinal, todo mundo também tem direito a uma opinião, certo? Sendo assim, eu apoio o incentivo às “loucuras” alheias (até certo ponto, claro). Muita genialidade é perdida pela estrada afora por falta de incentivo e por excesso de críticas. Vamos dar uma chance ao “amigão que quer tatuar o rosto”, talvez nesse ato tão excêntrico exista um super talento ou uma super personalidade querendo se expressar e que vai agregar coisas inclusive na vida da gente. Vamos guardar as críticas e incentivar a liberdade de expressão (até porque tá em alta o hábito de julgar algo/alguém dizendo que na verdade é uma crítica construtiva). Não vamos reprimir os outros porque é doloroso quando cortam as nossas asas. Quanta coisa bacana a gente já deixou de fazer na vida porque alguém disse que era uma ideia ridícula, não é mesmo? Talvez essa preocupação com o próximo nada mais seja do que um desejo inconsciente de fazer as próprias “loucuras”.

Photo by Allef Vinicius on Unsplash

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