Escutando a voz interior


Dia desses (pelo que eu considero praticamente um milagre divino) fiquei sozinha em casa por dois dias. Bom, sozinha é um ponto de vista. Na verdade, fiquei acompanhada de meu companheiro de preguiça há 12 anos (sim, estou falando do meu cachorro), dos meus livros e das minhas velas aromatizadas. Eu estava radiante por ter a oportunidade de ter a casa só para mim (e para o meu cachorro, meus livros e minhas velas aromatizadas).

No primeiro dia acendi minhas velas com uma sensação de liberdade incrível, porque, veja bem, nem todos temos os mesmos gostos então eu não posso acender velas aromatizadas pelo apartamento inteiro porque quem divide o teto comigo não simpatiza muito com esse meu ritual. E quanto ao meu cachorro… ele não tem voz ativa neste caso. Então aproveitei o dia para transformar a minha residência em um spa. E, cara, eu estava precisando MUITO disso. Relaxei, assisti filmes e li meus livros sem ser interrompida. Foi lindo.

luz de velas

No segundo dia, pela manhã ao me dirigir até a cozinha, me deparei, na sala, com dois presentes “aguados” do meu lindo companheiro de preguiça. (Eu preciso confessar que não tenho ideia de como uma cachorro tão pequeno consegue ter tanto xixi dentro de si, porque o tamanho daquelas poças… até eu poderia me afogar nelas se acabasse enfiando o pé ali.) Limpei tudo como de costume usando os produtos de limpeza de sempre, mas depois um uma hora ou duas comecei a sentir o cheiro do xixi. E era forte e fedido. Olhei em volta para ver se ele não tinha deixado outro presente em algum lugar que eu não tinha visto, mas não. Então, resolvi que o cheiro estava impregnado na casa inteira e abandonei meus planos de spa e comecei a faxina. Era um dia particularmente quente e eu estava suando bicas quando pensei “Com tantas horas no dia em que eu poderia fazer isso sem se sentir como uma manteiga no forno, resolvi fazer isso ao meio-dia. Parabéns, sua espertinha!

No final do dia, depois de me descadeirar esfregando o chão deixando o meu querido lar parecendo um templo sagrado da limpeza, e após um longo e maravilhoso banho, me sentei confortavelmente no meu sofá perto da janela tomando minha segunda caneca de café do dia e lendo um livro quando, deliciosamente, entra uma brisa fresquinha digna de ser recebida com um suspiro de alívio depois de tanto calor e trabalho pesado. E então me ocorreu o seguinte: se eu estivesse limpando a casa naquele momento não tão quente do dia, eu não estaria aproveitando os bons ventos.

janela

Algo para se pensar, não acham? Porque inúmeras vezes deixamos de fazer algo por pensar que não é a hora certa, que tempos melhores virão pra fazer determinada coisa. E de fato isso acontece, porque tempos melhores SEMPRE virão. O problema é que você não aproveita eles, e talvez nem perceba o quão perfeito eles são, porque está ocupado fazendo alguma coisa que já deveria ter sido feita. Eu sei que é tentador seguir pelo caminho mais fácil… Mas você já parou pra pensar que ele pode não valer a pena?

Eu sei, eu mesma já ponderei me considerar uma causa perdida, uma louca de pedra ou uma retardada completa, mas prefiro me admirar. Afinal, deve ter alguma coisa de útil em meio a tanta maluquice. Tenho fé nisso. E também sei que uso umas metáforas meio doidas, mas é assim que a minha alma fala comigo e me mostra o caminho. E esta técnica tem funcionado que é uma beleza para guiar a minha mente extraordinariamente caótica/criativa.

Então, sendo assim, ouso deixar aqui uma dica que considero valiosa para qualquer viajante do mundo interior que encontrar por coincidência (ou por obra do destino) este pequeno espaço na internet:

  • Quando você sentir (não estou falando de pensar, estou falando de sentir) que algo deve ser feito, e quando este “sentir” aparecer quase como um devaneio, não pense, apenas faça. Esta é a hora certa. Não espere que Mercúrio deixe de estar retrógrado ou que os planetas se alinhem ou a previsão do tempo colabore ou espere por alguém… Faça. Por favor, siga esse instinto, essa intuição, esse insight, essa luz, essa loucura ou seja lá como você chama. Isso é a sua alma, o seu coração, o Universo dizendo o que você deve fazer. Talvez seja apenas fazer uma faxina na casa (o que, pra mim, fez um bem enorme, pois me levou a ter este insight), talvez seja começar um curso, talvez seja fazer uma viagem, talvez seja mudar de emprego, talvez seja fazer uma faxina na vida e começar tudo de novo… Qualquer coisa. Escute essa voz interior, dê uma chance. Na pior das hipóteses você aprende uma lição. E conhecimento nunca é demais.

Acho que foi Albert Einstein quem disse “Tudo acontece na hora certa. Tudo acontece exatamente quando deve acontecer.” E eu tenho tido provas disso.

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