Destrua Este Diário – Keri Smith


Questionar o habitual. Mas é justamente isso, estamos habituados a ele. Nós não o questionamos, ele não nos questiona, não parece representar um problema, nós o vivemos sem pensar, como se não contivesse perguntas nem respostas, como se não fosse portador de qualquer informação. Não é nem mais condicionamento, é anestesia. Passamos nossa vida dormindo um sono sem sonhos. Mas onde está nossa vida? Onde está nosso corpo? Onde está nosso espaço?” – Georges Perec

E se um livro não fosse feito para ser cuidado, mas, sim, destruído?

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Keri Smith, a criadora de Destrua Este Diário, nos apresenta este conceito/questionamento nesta obra um tanto curiosa e instigante.

Acho que algumas pessoas se sentem um pouco desafiadas e têm dificuldade de ir contra todas as convenções normais e contra a forma como foram ensinadas a lidar com livros. Um crítico escreveu: “Os livros de Keri Smith podem destruir anos da educação dada pelos pais!” Isso só me fez rir. É um grande elogio para mim. O maravilhoso foi ver a diferença na forma como ele foi recebido por adultos e por crianças. Os adultos expressaram medo e hesitação; já as crianças aceitaram a proposta do livro sem titubear, especialmente nas partes mais desafiadoras (leve o diário para o banho, suba em um lugar alto e deixe o diário cair, perca uma página). Adoro ver que as crianças não têm medo dele, enquanto os adultos precisam lutar contra uma vida inteira de costumes sociais. Acredito que pequenos atos de rebeldia realizados no cotidiano podem acabar virando atos maiores, capazes de transformar vidas. Quando você questiona as coisas em pequena escala, passa a questionar tudo. Isso é importante para ajudar a desenvolver o pensamento crítico. Nosso sistema de ensino se baseia em aprender a agradar e obedecer aos professores, o que faz dele uma instituição ultrapassada e disfuncional. É muito difícil se livrar de anos de programação criada pela nossa cultura de massa e pelas nossas instituições, mas minha esperança é que, ao incentivar as pessoas a participar de mini revoluções, uma pequena chama se acenda nelas e dê início ao processo de “desprogramação”.” – Keri Smith

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Eu já tenho o meu exemplar de Destrua Este Diário e já estou louca para começar a minha obra de destruição nele. Agora, uma coisa curiosa aconteceu quando comecei a “ler” o livro… Me dei conta de que, ao ler as instruções em cada página, um conflito surgia: seguir literalmente o que diz ou soltar a artista (alô, criatividade) que existe em mim?

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