Alguém em busca de mais


Durante um bloqueio criativo, enquanto futricava no meu HD Externo, encontrei um documento de texto antigo. Ele estava lá, perdido no meio das zilhões de pastas salvas. Quando vi ele ali, pensei “Não creio… Vou ler.

Em 2008 eu fiz meu primeiro blog. Eu era nova nessa coisa de escrever na internet e, com medo de tarados e psicopatas, usava um nome fictício. Eu tinha medo de expor a minha pessoa física, mas não tinha medo de expor a minha opinião. A verdade é que eu queria desesperadamente encontrar pessoas como eu, porque já naquela época eu sabia que tinha alguma coisa errada na minha vida. Eu só achava que não tinha coragem o suficiente pra mudar.

Pra enfatizar bem o que eu quero dizer, vou compartilhar um texto que escrevi naquele ano, quando a depressão era uma companheira de jornada e eu nem sabia.

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É estranho ainda continuar aqui. Às vezes aquilo que desejamos não é o que realmente queremos. Estamos tão acostumados com o cotidiano, com as coisas que nos fazem crer ser “o caminho”, que temos medo de que os sonhos possam se realizar, então ficamos presos entre muros e deixamos de sonhar. Deixamos de lado o que mais nos mantém vivos, e acreditamos na falsa felicidade que os nossos corações oprimidos se forçam a acreditar para sobreviverem. E seguimos em frente. Mas por que os padrões da sociedade tem que ser o “correto”? É claro que existem limites. Mas por que temos tanto medo da vida que realmente queremos? Admiro aqueles poucos que têm coragem de quebrar as regras e obedecerem seus corações. Sou livre e nada nem ninguém, exceto eu mesma, pode me impedir de ser feliz. Por isso não acredito que ainda esteja aqui, sou uma fraca. Ou talvez esse meu período melancólico seja uma despedida e eu esteja reunindo minhas forças… É… com certeza é isso!

E eu consegui. Lendo este texto sinto um misto de orgulho e pena. Pena porque eu sabia o que tinha que fazer, mas deixava o medo me controlar. Orgulho porque, mesmo levando tanto tempo, eu finalmente reencontrei a minha coragem e assumi as rédeas da minha vida.

Agora, sabe o que eu acho mais bonito nisso? Mesmo encoberta de pensamentos tristes, conformistas e negativos, o meu eu de hoje – que tem pensamentos infinitamente mais alegres, que passam longe do conformismo e são um posso sem fim de positivismo – já estava ali dando sinal de que não desistiria de mim tão fácil. Eu me carreguei no colo mesmo quando era um peso morto e coloquei sorrisos no meu rosto mesmo quando as lágrimas faziam nós na garganta. Eu me mantive firme, embora nem sempre forte, e me empurrei pra frente dia após dia sussurrando baixinho pro meu coração aguentar mais um pouco porque existia um futuro melhor pra nós, só bastava a gente decidir mudar. Mesmo sem perceber que eu estava cuidando de mim, mesmo me colocando na posição de vítima, no fundo eu era o meu herói.

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Até poucos minutos antes de encontrar esses meus textos antigos eu poderia jurar de pé junto que a minha transformação tinha começado no início do ano passado. Mas a verdade é que ela veio se desenvolvendo nos últimos anos. E hoje eu sei que daqui mais alguns anos, quando eu ler os textos que escrevo hoje, vou ter o mesmo tipo de sentimento que estou tendo agora… O sentimento de que eu cresci mais, amadureci mais, evoluí mais… E como eu já disse aqui no blog, eu sou uma mulher em busca de mais. É, tendo o meu passado em vista e dando uma espiada lá na frente, acho que posso dizer que estou me saindo bem na minha missão.

 

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